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Boechat, uma referência!

Boechat, uma referência!

É comum que ao trabalhar em uma determinada área você tenha uma referência, alguém que te inspire ou te represente através de uma opinião ou postura.

Hoje, essa referência (para muitos) se calou. Vítima de uma acidente de helicóptero, Ricardo Eugênio Boechat, nos deixou. No acidente também morreu o piloto Ronaldo Quattrucci.

Ao receber a notícia que confirmava a sua presença na aeronave que caiu e sua morte, fiquei com a sensação de ter perdido alguém da família. Uma lágrima caiu lentamente sobre meu rosto e uma sensação de “não pode ser verdade!”.

Muito antes de eu, sequer, pensar em falar uma palavra em um microfone de uma rádio, já acompanhava Ricardo Boechat. Seja na TV, em sua coluna na revista Isto É e, principalmente, na Rádio Band News, FM (96,9 SP).

Seus comentários ácidos, bem fundamentados e sua imparcialidade faziam com que eu não perdesse nem um dia. Ouvia religiosamente Mesmo quando estava em férias, no Paiaiá, Nova Soure, BA, acordava as 06h00 para ouvi-lo.

Concordava com muita coisa que ele falava. Afinal, Valtare já dizia que “tolo é aquele que concorda com tudo, assim como aquele que discorda de tudo”. Ele, assim como eu, não professava nenhum tipo de fé.

Faço programa de rádio há 2 anos e 9 meses. Um programa de entrevistas. Já foram mais de 100 entrevistas realizadas. E, qual o comunicador que não deseja entrevistar alguém da importância e relevância de um Boechat?

Falei com Boechat por três vezes, por telefone, e duas vezes,  pessoalmente.

Em uma dessas ligações ele falou, rindo, que ensaiou para falar o nome ‘Paiaiá’ e não conseguiu. Veja no link: https://www.youtube.com/watch?v=bMuIfAsE0n8

Em outra ligação falei que gostaria de entrevistá-lo, em meu programa, depois de contar toda história do programa. Ele, educadamente, disse: “por enquanto, aos sábados está complicado para eu ir no estúdio. É meu único dia de folga e tenho que dar atenção as crianças. Mas, por telefone, é só você marcar”. Nos despedimos e, feliz,  falei que retornaria o contato.

Mas eu gostaria de entrevistá-lo no estúdio, cara a cara. Seria a realização. Eu esperaria esse momento.

Estive com Boechat por duas vezes, pessoalmente. O cara bravo, de comentários ácidos, pessoalmente, era um sujeito boa praça, atencioso e “meio atrapalhado”. Generoso, contribuía com projetos sociais mas não gostava que isso se tornasse público, me disse certa vez a organizadora de um projeto.

Tive a honra de visitar e participar do programa do meu amigo Fábio França e sentar na cadeira que Boechat, todas as manhãs, tecia os mais pertinentes comentários políticos do jornalismo atual. Ele “batia” em todos que merecessem. Não media palavras para chamar a banda pobre da política brasileira de corruptos e vagabundos. Seja Lula, Dilma, Aécio, Dirceu e cia. Com Boechat, “pau que bate em Chico, bate em Francisco”.

A última vez que tive com Ricardo Boechat foi no dia 03 de jullho de 2018, na sede do Grupo Bandeirantes, no bairro do Morumbi, SP.

Em uma conversa de cerca de 10 minutos, falei do meu programa, falei da Rádio Conectados, do povoado Paiaiá e a biblioteca, o que o deixou admirado. Perguntei se ele torcia mesmo pelo Atlético de Alagoinhas (Alagoinhas, cidade baiana, localizada há cerca de 120 km de Salvador), ele confirmou que sim. Entreguei-lhe um chaveiro do meu programa e reforcei o convite para uma entrevista. “Vamos fazer”, disse ele. Antes de me despedir, ele tinha que voltar a rádio, ele disse: ” qualquer evento sobre essa biblioteca, me mande uma mensagem para a gente divulgar aqui…”

Boechat iria ao programa Paiaiá na Conectados. Tudo se encaminhava para isso. Provavelmente, em maio. Aniversário de 3 anos do programa. Não deu tempo.

Era muito comum eu cruzar com ele no trânsito, por volta das 06h50 da manhã. Horário que ele estava chegando, com seu Twingo roxo, no prédio do Grupo Bandeirantes.

Não lamento aqui o fato de não o ter  entrevistado. Lamento a perda de um grande ser humano e um grande profissional. Ganhador de 3 prêmios ESSOS  e o maior ganhador do prêmio COMUNIQUE-SE.

Fica uma lacuna no jornalismo sério e imparcial.

A Band News FM, 96,9 sentirá sua falta. Nós, ouvintes, também. Como será amanhã, as 07h30, quando ligar o ráido para ouvir  os seus comentários?

Era nessa cadeira (foto) que Boechat não mais o sentará.
Obrigado, Ricardo Eugênio (o gênio) Boechat.

 

 

 

 

Carlos Silvio

Uma ideia sobre “Boechat, uma referência!

ANTONIO MARIO D BASTOSPublicado em  5:03 am - fev 12, 2019

Bravo, Carlos Sílvio, bravo!
Que matéria genial, viu! Digna de um Boechat mesmo.
A lacunaa que o jornalismo brasileiro e internacional vai experimentar não é das menores; é de uma vastidão oceânica.
Meu consolo, particularmente, é que você teve momentos de “aulas” com o Boechat. Afinal um simples bate papo com ele se caracterizava numa tomada de ensinamentos.
Que Deus conforte os familiares, fãs e colegas profissionais!
Parabéns pelo texto, meu caro Sílvio de Cabelinho.

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