“Transtorno mental não é brincadeira”, diz Thiana Furtado


Thiana Furtado é de Cutitiba, cidade onde também reside, escreve desde os 16 anos e o livro “Minha Vida com o Transtorno Esquizoafetivo”, foi a sua primeira obra publicada.

Leitora ávida de tudo que lhe proporcione sensações inefáveis de poder sentir, abrasar um calor brotando no corpo, na alma e no coração. Amante convicta da causa animal, deixou de comer carne vermelha com 23 anos de idade e se sente feliz com isso. Acredita que “a humanidade ainda tem muito para evoluir, mas enfatiza que todos os estágios serão alcançados, até que isso possibilite atingirmos uma transformação fundamental, para que possamos avançar cada vez mais, novos e fidedignos patamares”.

Carlos Sílvio, do programa Paiaiá na Conectados, bateu um papo com a escritora. A seguir você confere a entrevista:

Carlos Sílvio: Como você descobriu que sofria de uma doença?

Thiana Furtado: Na realidade, a gente nunca percebe, nem admite. Meus familiares notaram e minha mãe me levou a um psiquiatra. No começo ela acreditava que eu tinha me transformado em uma pessoa ruim. Foi preciso que eu abraçasse a solução, para poder dialogar com ela, que aquilo era uma doença. Eu percebi que estava doente, à minha maneira, mesmo sem admitir, quando comecei a me isolar de todos para me refugiar em meu quarto, abraçando os primeiros sintomas de uma depressão que levou alguns anos para ser sanada.

CS: Você demorou a aceitar o diagnóstico?

TF: Sim, demorei quinze anos para me conscientizar que um transtorno mental não é brincadeira. No decorrer desse tempo, eu não me medicava corretamente, dificultando a eficácia de um tratamento que poderia ser proveitoso. Eu não levava a sério esse problema que tive.

CS: Quais foram os maiores impactos da doença em sua vida?

TF: O maior impacto que sofri, foi a perda de contato com a realidade e saber que as pessoas estavam cientes disso. Também sofri com a perda de vínculos afetivos, com os meus amigos de adolescência. Tinha dificuldade de assimilar os conteúdos disseminados na faculdade. Perdi muitos anos da minha vida, aprisionada nessa doença.

CS: Como costuma ser a procura por tratamento quando a pessoa tem esse tipo de problema?

TF: A pessoa geralmente recusa-se a admitir que está doente, mas quando o sofrimento é muito intenso, ela rende-se e procuta a medicina e a psicologia. Acredito que, no início, geralmente são os seus familiares que tomam à frente disso.

CS: Você teme recaídas?

TF: Hoje, não. Estou estabilizada. Quando se encontra o medicamento ideal para você, esse medo praticamente desaparece, ao menos comigo, tem sido assim.

CS: Por que você resolveu escrever este livro?

TF: Em primeiro lugar, escrever sempre foi a minha válvula de escape, porém, bem mais do que isso, acredito que tenho o dom da escrita. Mas o que me fez realmente escrever sobre esse assunto, foi a intenção de ajudar as demais pessoas. Essa ajuda refere-se a vítimas do transtorno esquizoafetivo, da esquizofrenia e da bipolaridade. Também pensei nos familiares das vítimas, bem como, nos psiquiatras e psicólogos, que por ventura possam se interessar pelo tema.

CS: Você poderia nos contar um pouco sobre o seu livro?

TF: Sim, claro que posso. Em uma narrativa envolvente, falo sobre a minha vida particular e sobre os problemas que tive, desde que comecei a enfrentar esse distúrbio. Falo sobre os quatro internamentos em hospitais psiquiátricos que fui obrigada a vivenciar, e sobre as minhas dificuldades enfrentadas por lá. Ofereço, no livro, pontos de vistas diferenciados e discorro sobre a melhor maneira de se enfrentar a doença, tanto para quem sofre, como para os seus familiares, que, muitas vezes não sabem bem como conviver com os seus entes queridos, que estão adoecidos. Há nuances de alguns momentos que utilizei para quebrar um pouco o conteúdo do livro, manifestados sob a forma de poesias, em algumas partes dele. É um livro interessante, para quem deseja se entreter com a temática desenvolvida. Recomendo a leitura.

CS: O que diria às pessoas que têm ou imaginam que possam ter um problema semelhante? E o que falaria às famílias delas?

TF: Diria para não desistirem jamais de si mesmos, diria para acreditarem que existe um modo de tranquilizarem as suas vidas e os seus cérebros em rebuliço. E a maneira mais eficaz de alcançarem o êxito, é por meio da medicação e de uma boa terapia que possa ajudá-los a enfrentar esse contratempo. Quanto aos familiares, pediria encarecidamente que procurem se familiarizar com o assunto, entrando em grupos de ajuda. Recomendo os encontrados no Facebook. Diria para lerem muito sobre o transtorno que os seus entes queridos estejam, por hora, apresentando. É preciso que tenham esperança e que possam enxergar a luz que brilha no final daquele túnel mais obscuro…

CS: Você planeja escrever outros livros?

TF: Sim, e já comecei. Na verdade, estou com um projeto de onze livros que já iniciei, sendo que três estão prontos e alguns outros já estão bem avançados. Como o custo para publicar uma obra é encarecido, pretendo publicar um por ano. Ainda não publiquei o segundo, porque eles estão em processo de correção e é um processo bem demorado, uma vez que um deles está sendo transformado, por ter sido escrito há mais de dez anos. Em breve, vocês terão novidades.

CS: Você poderia nos contar sobre o que se trata esses livros?

TF: Sim. Dois deles são sobre poesias e filosofias. Outro é sobre crônicas, que fala por meio de uma linguagem que aborda o universo dos sentimentos, mas fala, sobretudo, sobre o nosso cotidiano. Os outros são sobre o autismo, síndrome do pânico, alzheimer, livro de reflexões sobre a vida, e sobre relacionamentos abusivos. E tem um também que é um romance. E o mais importante, um que está quase pronto também, que é o Minha vida com o transtorno esquizoafetivo, volume 2, continuação desse que falo nessa entrevista. Ele aborda o universo onírico, em que discorro sobre os meus sonhos e dou a eles uma explicação baseada em meu conhecimento acerca da minha problemática. E, finalmente um, que aborda a esquizofrenia.

CS: E onde eu posso encontrar o seu livro que foi lançado recentemente?

TF: Ele ainda não foi para todas as livrarias. Mas em breve estará em uma infinidade delas. Por enquanto, duas livrarias que indico e que será fácil encontrá-lo (sob encomenda, acredito eu), é na livraria Cultura e Curitiba. Ele foi publicado pela editora Appris em outubro de 2108. Você também pode encontrá-lo em livrarias online, onde se comercializa o ebook. Recomendo que você adquira o ebook pela editora que publiquei e que comentei no parágrafo acima. O preço lá é bem acessível, ao menos o ebook, por lá, fica mais em conta (em torno de R$28,00 reais). Já o impresso está um pouco mais caro. Atribuo o preço sugerido ser alto, porque livros sobre transtornos mentais são realmente mais caros.

CS: Você poderia nos enviar alguns links de onde podemos encontrá-la por meio das redes sociais?

TF: Sim, vou lhe fornecer alguns links, onde poderão me encontrar facilmente…

https://www.instagram.com/thiana_furtado_escritora/

https://www.facebook.com/amantesfecundosdotempo/

CS:  Gostaria de lhe agradecer pela entrevista.

TF: Imagina, sou eu quem agradece.

 

Carlos Sílvio é apresentador do programa Paiaiá na Conectados que vai ao ar todos os sábados, dás 12h às 13h, na Rádio Conectados ( www.radioconectados.com.br )