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Sensacionalismo: qual o limite?

Sensacionalismo: qual o limite?

É ano de eleição e a cena se repete: os candidatos dão as caras e saem em busca de alguém que nunca quiseram saber se existe. A busca pelo poder é mais importante.

Em Nova Soure, Bahia, um município com cerca de 27 mil habitantes, não é diferente. Usam e abusam do assistencialismo e do sensacionalismo rasteiro.

O prefeito Luís Cássio de Souza Andrade foi eleito e na sua chata estava Marcos Ureilton, PT, como vice.

Mas, qual a função de um vice?

O Vice-prefeito é o segundo em exercício no cargo do executivo municipal. Esse representante é eleito através de voto direto, juntamente com o prefeito, de modo vinculado (Constituição Federal Artigo 29, I e II).

Ele assume as funções do prefeito caso este tenha o mandato cassado ou precise se ausentar por motivo de viagem ou licença. Discutindo e definindo em conjunto as melhorias para o município, o vice deve auxiliar na administração enquanto o prefeito está em exercício. Ele é um subordinado do chefe do executivo. Não temos esse auxílio do vice em Nova Soure, ou estou errado?

O vice-prefeito fica responsável por tarefas administrativas de auxílio, durante o pleno exercício do prefeito. O prefeito pode delegar funções e responsabilidades para essa pessoa.

Marcos Ureilton rompeu com o prefeito e se tornou um adversário político. Uma espécie de oposição, como disse ele certa vez em entrevista à Rádio Pombal FM. Porém, por uma questão moral e ética, Marcos deveria ter renunciado ao salário de vice (não é ilegal ele continuar recebendo, mas é, no mínimo imoral).

Janeiro de 2020 e Marcos começou sua pré-campanha à Prefeitura de Nova Soure (um sonho?), e com ele está uma equipe de filmagem. Contratada recentemente na cidade de Rio Real. Segundo informações, essa mesma “equipe” já havia procurado o prefeito Cassinho para oferecer esse tipo de serviço (sensacionalista). Cassinho, no entanto, não aceitou por ir contra os seus princípios que são: ajudar sempre, sem olhar a quem; tratar as pessoas como iguais, em qualquer época e acima de tudo, por não ser um personagem na política.

Circula um vídeo, que está no Youtube, publicamente, onde Marcos e a equipe de filmagem vai à casa de uma senhora no povoado Rio Fundo.

Lá vive uma senhora, numa casinha de taipas. Em extrema pobreza. O cenário perfeito para um bom editor de vídeo que gosta de usar do sensacionalismo e feitos. Mas dessa vez “eles” usaram e abusaram da falta de bom senso e da falta de respeito.

Mas vamos ao vídeo:

O Vídeo começa com um erro de português no título, além de ser uma contradição, baseado no que sempre pregou Marcos Ureilton. Ele, como um petista e defensor das ideias Nacionais do PT e seu líder mór (Lula), sempre afirmou que os governos do PT tinham acabado com a pobreza no Brasil. Se assim fosse, poderíamos chamar esse vídeo de fake news?

O locutor, com voz empostada, deixa claro, já na primeira frase que se trata de uma produção pré-fabricada quando diz, com voz animada e fora de contexto da cena, que até pareceu-me declamar uma poesia: “ESTAMOS NO POVOADO DE RIO FUNDO; NO PÉ DA SERRA…; UMA CASINHA PEQUENA…”

Logo após, com uma música de fundo, o locutor baixa o tom de voz, para passar uma sensação de tristeza…

Marcos Ureilton pergunta a senhora se “a prefeitura vem aqui sempre?”. O lucutor se esforça para subir um pouco o tom de voz e deixar a cena um pouco mais comovente.

Marcos pergunta se ela já foi na prefeitura. Ela diz que sim e que não foi atendida. Falta alguém ir lá e perguntar para a aquela senhora: em que época ela foi? Será que ela não foi lá antes do rompimento de Marcos com o prefeito e não o viu?

Sim, no próprio vídeo o locutor deixa claro: “MARCOS UREILTON QUE ROMPEU COM O PREFEITO”.

O locutor diz que Marcos nunca abandonou o povo. Não estou dizendo que fez isso.  Mas fica aqui as perguntas: por que Marcos Ureilton esperou chegar o ano da eleição para ir na casa dessa senhora? Só agora descobriu que ela existia? Por que não foi ajudá-la sem vídeo, sem sensacionalismo? Por quê?

Sim, sensacionalismo!

A cena que segue é da mais profunda falta de educação e bom senso. É revoltante. É invasão de privacidade. Marcos Ureilton fez o que não se faz com ninguém: invadiu o quarto da casa, quando lá estava uma adolescente deitada, dormindo. Até o próprio Marcos fica surpreso quando ver a menina deitada. E se ela estive seminua?

Por que o editor não excluiu essa parte do vídeo? Isso é ridículo!

Assim como é ridículo usar a pobreza e invadir a privacidade de alguém e usar isso como propaganda política.

Com Zezé de Camargo e Luciano cantando ao fundo, a senhora pega um balde e vai em busca de água. Uma cena orientada. Qualquer pessoa que trabalhe e conheça um pouco de filmagem e edição, sabe que o “diretor” fazer aquilo para construir aquela cena.

O choro no vídeo não comove. O choro no vídeo é revoltante. Primeiro: até hoje, os governos, me refiro ao Federal, nunca se preocuparam com a miséria existente no país. Querem manter o povo na pobreza e usar como massa de manobra, sempre. Troca de votos e discursos demagogos. Que o diga os governos petistas e seus bordões recheados de engodos que dizia que “o PT acabou com a pobreza”; segundo: usar a miséria de forma sensacionalista, seja para ter audiência em algum programa ou em campanhas políticas, com edições e efeitos especiais ou visuais, é ridículo.

Todos sabemos da situação do país e se queremos ajudar alguém, não precisamos tornar isso público. Ajude-o sempre, sem olhar a quem. Sem interesse.

O choro não comoveu, nem a mim e nem a ninguém. O próprio Marcos Ureilton e sua equipe, no mesmo dia da gravação, foram a um delicioso almoço. Uma mesa com muita fartura e risos, enquanto aquela senhora, no Rio Fundo, continuava sem nada para comer e, talvez, ainda chorando.

Esse texto não é  uma crítica pessoal. É uma crítica ao homem público, enquanto político, Marcos Ureilton.

Texto: Carlos Sílvio

As imagens aqui postadas são prints tirados do vídeo que está no Youtube e público.

O espaço está aberto, nesse site, para quaisquer esclarecimentos.

 

Carlos Silvio

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